segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Termas em Chaves - Januário Godinho

Arquitectura moderna portuguesa, finais de 50, séc XX

Um espaço magnífico, um desenho fluido, a luz excelente, a lembrar as arquitecturas construidas nos trópicos. "O moderno tropical" a melhor arquitectura moderna portuguesa.
Também sabemos que a melhor arquitectura portuguesa do barroco está no Brasil.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fragmentações de um percurso aleatório.





Visitemos a Austrália, sempre que possível, e observemos a pujante arquitectura que ali se aborígena.
Mas não podendo percorrer as vinhas austrais, sentemo-nos na soleira, na falta do degrau, e de novo apostemos no futuro, a incerteza absoluta.
Saudades do criador.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Especialistas

“ A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects.
Robert A. Heinlein (tumblcore)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

On the road, 66



O moleiro da minha aldeia, sempre branco dos pés aos cabelos, ele que tinha cabelo branco, passeava-se numa carrinha igual a esta pelas vielas apertadas da aldeia. Passeava-se, isto é, distribuía aos sacos, a farinha pelos clientes, que incluíam as pequenas mercearias espalhadas por um vasto território antes percorrido numa carroça puxada por uma mula.
Parece que ainda estou a ouvir barulho do motor, os amortecedores trazeiros no limite da compressão, tal era o peso dos sacos de farinha que subiam até ao tecto, a carrinha mais parecia uma rampa de lançamento. Por vezes ficava entalada nos trilhos esculpidos na ardósia por centenas de anos de rodas de carroças puxadas por mulas. Era uma questão de largura de eixos. Mas o motor aí é que mostrava o que valia, e o moleiro não exitava em tirar partido de toda a potência dos cavalos, agora que tinha cavalos à disposição.
Depois de vencidos os obstáculos, chegava á loja do Ti Francisco, o pai do meu padrinho, e descarregava um saco que transportava de maneira muito própria, a mão na anca, o cotovêlo sobreelevado compunha uma base triangular se contarmos com os ombros . E era ali que, com um movimento de ombro e a ajuda da mão livre, como num golpe de judo, transportava o saco pesado, de farinha que , diz-se, nunca sujou o moleiro. Pois ele era todo branco, com um ligeiro ton amarelado, como a carrinha.
Já a mula, essa parece-me que era cinzenta. Pois.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

WHEN THE FUTURE MEETS

Neri Oxman

Materialecology

Explorem.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Casa lc







Para a Luísa Crespo, desenhei uma casa com uma ponte quase levadiça sobre um "fosso" como nos castelos de fadas.
E muita luz, para se poderem observar as pinturas nas paredes, mesmo de noite, que, como sabemos, ocupa pelo menos metade dos dias.
Gosto também das escadas, no limite, dos espaços de transição, dos tectos que sobem em ângulos, dos diferentes pés-direitos, da definição dos espaços de estabilidade e repouso... e da funcionalidade, apesar das piquenas coisas resultantes de uma construção em ajuste directo.
O meu primeiro projecto em Porto de Mós.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ARCHITECTURA

Um Poema de : Soares Feitosa

Um dia, Ela desenhará em chãos longínquos a casa só nossa, que eu farei com estas mãos.

Os tijolos, eu os amassarei com os meus pés.

Às telhas — hei de aprontar o barro mais macio, e as formas serão por mim, uma a uma, completadas;

Ela as alisará longamente —
seus dedos molhados de um profundo silêncio:
só os pássaros.

Fortaleza, manhã de 19.11.1998



Após a leitura deste poema, já há alguns anos, deixei no site do poeta brasileiro este comentário:

A poética na arquitectura diz-se uma realidade espacial que pela sua proporção, harmonia e funcionalidade, potencia uma das mais clarividentes e reveladoras experiências que nós humanos podemos viver.
A poética arquitectónica assentará no despreendimento e na capacidade de abstração, mas também na interpretação do que se procura materializar como espaço, na modelação e controle da luz, no "assentamento" na paisagem e na convergência dos tempos de acção, esta última talvez a condição mais difícil de obter...
No entanto, lê poesia apenas quem a procura...
A terra, a transcendência do Amor, a necessidade de (a)riscar, o sonho, a transformação, são tudo matéria do espaço arquitectónico.
Obrigado por me ter provocado esta leitura esquecida da minha profissão.

Helder Ventura